Qual é a diferença entre Chopp e Cerveja?

Você bebe chopp e cerveja mas não sabe a diferença? Será que essa diferença realmente existe? Aprenda de uma vez por todas a distinção entre os dois termos.

“Um CHOPES e dois pastel” ou “Um CHOPPS e dois pastel”? Qual o correto? Para o paulistano tanto faz já que concordância nunca foi o nosso forte e a legislação permite qualquer uma das duas grafias: “chopp” e “chope”.

Esse termo de raízes alemãs começou a ser usado por aqui muito provavelmente por imigrantes germânicos para designar volume, pois Schoppen é uma unidade de medida na Alemanha que equivale a ½ litro.  Então, em vez de “um copo de cerveja”, as pessoas simplesmente encostavam no balcão e pediam “um chope”, assim como acontece com o Pint, que é uma unidade inglesa de volume.

Ao longo dos anos, porém, o chope acabou perdendo essa relação com a quantidade de bebida no copo e passou a representar a forma como a cerveja é servida.

Diferenças reais e legais

A legislação brasileira, por sua vez, nos dá uma visão diferente, ela distingue o chope da cerveja pela pasteurização (processo que objetiva garantir a estabilidade biológica). De acordo com a lei o chope é uma cerveja não pasteurizada, como prevê o decreto Nº 6.871 que regulamenta a classificação de bebidas.

Art. 37.  III – a cerveja deverá ser estabilizada biologicamente por processo físico apropriado, podendo ser denominada de Chope ou Chopp a cerveja não submetida a processo de pasteurização para o envase;

 

O grande porém é que sempre que usamos o termo “chope” nos referimos à cerveja servida na chopeira, sem nem pensar se a bebida passou pelo processo de pasteurização ou não. Essa forma servir a bebida é conhecida em outros países como Draught beer, Tap beer, Bière à la pression,  Fassbier etc, que nada mais é do que uma indicação de que a cerveja é servida diretamente de um barril, sem que seja engarrafada ou enlatada.

 

Um pouco confuso, mas deu pra entender? A origem do termo é relacionada a quantidade de cerveja, mas com o temos passamos a usar para indicar a forma que ela é servida, enquanto a legislação faz uma diferenciação quanto a pasteurização ou não.

 

Mas espera aí! Como é que a AMBEV vende o “Brahma chopp” enlatada e ainda por cima pasteurizado? Pode isso?

 

A Brahma chopp

Brahma Chopp

Poder… poder mesmo, não poderia, mas pode. Vamos lá!

Em 1934 a cervejaria Brahma começou a vender o seu já famoso chope de barril em uma versão engarrafada e o batizou de Brahma chopp.  Acontece que só em 1973 a lei veio distinguir o chope da cerveja pelo processo de pasteurização, mas a essa altura “Brahma chopp” já era uma marca consolidada e com registro do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Para evitar que fosse impedida de usar a expressão “chopp” em sua cerveja, a Ambev entrou com um processo judicial e conseguiu manter o mesmo nome ainda que não esteja de acordo com a lei.

Passando a régua

No final das contas é tudo uma questão de propaganda, pois existem cervejas não pasteurizadas chamadas “cervejas vivas” em vez de chope – como a gaúcha Coruja – e certamente muitas cervejarias que fazem a pasteurização do seu barril e ainda assim o chamam de chope.

Um economista disse certa vez que ”se só existe no Brasil e não é jabuticaba só pode ser besteira”.  Certo ou errado, chope ou cerveja, o fato é que o termo vem sendo cada vez menos utilizado por nós brasileiros.

Referências

http://acervo.estadao.com.br/procura/#!/chopp%20brahma/Acervo///1/1930/1934/4/

http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19020917-8694-nac-0002-999-2-not/busca/chopp

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/76211939/trf-3-judicial-i-08-09-2014-pg-102

http://www.pfaelzer-mundart.de/pfalzwoerter.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6871.htm

http://vip.abril.com.br/a-revolucao-da-cerveja-artesanal/